Apesar dos avanços em políticas públicas, abandono de animais ainda é comum em Fortaleza
- Equipe Amparo

- 5 de out. de 2019
- 2 min de leitura
Grande quantidade de animais vivendo na rua expõem anos de negligência do poder público. Apesar de ser crime, casos de abandono são recorrentes na cidade

O número de cães e gatos vem crescendo nos lares brasileiros. O Brasil possui a terceira maior população de animais domésticos do mundo, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos. Mais de 70 milhões de bichinhos fazem parte das famílias brasileiras, responsáveis por movimentar 32 bilhões de reais na economia do país apenas em 2018.
Apesar dos números expressivos, o país também acumula resultados negativos. Com longo histórico de negligência por parte do poder público, o Brasil possui quase 4 milhões de animais em condição de vulnerabilidade, distribuídos principalmente nos centros urbanos.
Em Fortaleza, não é diferente. Segundo a Coordenadoria Especial de Proteção e Bem-Estar Animal (COEPA), são mais de 300 pontos de abandono identificados na cidade, distribuídos entre praças, parques, cemitérios e até mesmo hospitais. Ainda de acordo com a COEPA, cerca de 132 mil cães e gatos estão em situação de vulnerabilidade na capital cearense. O levantamento segue a orientação da Organização Mundial da Saúde. O cálculo sugere que o número de animais vivendo na rua corresponde a até 12% do total de animais tutelados no município.

Os animais desamparados ficam suscetíveis a fome, maus-tratos, atropelamentos e a uma série de doenças. Os riscos, no entanto, não se resumem aos animais. A proliferação de enfermidades transmitidas pelos bichinhos podem atingir os humanos. Algumas podem ser fatais, como o calazar. Apenas em 2018 foram registrados 292 casos de calazar humano no Ceará, com 23 mortes.
A situação fica mais crítica quando são formados focos de superpopulação desses animais em áreas de preservação ambiental, como o Parque do Cocó. Gatos que estão há mais tempo na parte interna do parque perdem contato com humanos e adotam comportamento mais selvagem, trazendo riscos para a fauna nativa da região. Além da disputa por território, ocorre a transmissão de zoonoses e em casos mais extremos, algumas espécies se tornam presas dos animais invasores, podendo inclusive serem extintas.
Ciente dos riscos que o alto índice de animais desamparados promovem, a prefeitura de Fortaleza tem atuado no controle populacional desses animais. Entre as medidas adotadas pelo órgão, está a castração e microchipagem de cães e gatos em situação de rua. Tutores que não possuem condições financeiras para realizar o procedimento em seus pets também têm acesso a castração gratuita.
De acordo com Toinha Rocha, coordenadora do COEPA, a prefeitura também tem atuado em campanhas de conscientização da população. Uma das formas para divulgar informações são as cartilhas que ensinam sobre os cuidados que se deve ter com os animais, distribuídas para crianças da rede de escolas públicas da cidade.
“Sem educação ambiental e sem educação com as nossas crianças e nas comunidades, nas associações de moradores e com a população de modo geral a gente não vai conseguir isso (acabar com o abandono)” - Toinha Rocha
Além da prefeitura, ONGs, abrigos e projetos da causa animal desempenham papel importante no auxílio aos animais carentes. Os protetores fazem o resgate dos bichinhos, arcam com os gastos veterinários, além de disponibilizar lares temporários até que os pets sejam adotados.



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